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Essa é talvez a pergunta que mais me fizeram até hoje. Como guardar dinheiro e quanto seria o orçamento diário para uma viagem tão longa?

Eu mesmo pesquisei muito sobre e escolhi algumas alternativas que me deixaram mais confortável, o tempo vai mostrar se foram escolhas acertadas ou não, pelo menos nos primeiros 20 dias estão se mostrando boas alternativas. Mas primeiro vamos ao primeiro passo, quanto e como guardar dinheiro?

Como guardar dinheiro para passar um tempo viajando?

O que mais ouvi principalmente no último ano foi “não sobra nada no final do mês, como que conseguiu juntar tanto dinheiro?”. Na verdade é bem simples, exige só um pouco de disciplina (só um pouco) e você nem vai sentir o baque.

O primeiro passo foi começar a juntar 20% do meu salário, esse dinheiro era imediatamente desviado para uma poupança assim que entrava na minha conta. Se você faz disso uma rotina (pode até programar para que o banco faça isso automaticamente) vai ver que consegue viver muito bem com 80% do que você ganha. Quando o dinheiro aparece na conta a gente sempre gasta, mas quando ele não está lá magicamente você gasta menos (e nem percebe no que economizou).

Um arrependimento que tive foi num primeiro momento não diversificar o investimento do meu dinheiro. Sempre fui muito conservador e deixei na poupança, tive sorte que até ano passado era um investimento bom, mas com a situação atual do país sugiro pesquisar um pouco mais pois existem aplicações tão seguras quanto e que rendem mais que o dobro (caso tenho 1 ou dois anos para deixar o dinheiro aplicado sem mexer nele).

Outra coisa que ia direto para a poupança era qualquer ganho extra que não fosse meu salário, ou seja, décimo-terceiro (se vivo sem ele o resto do ano por que gastar no final?), freelas, os 10 dias de férias que podia vender…tudo ia para a poupança.

É fato que sempre fui muito econômico (nunca fui consumista, nunca tive carro e sempre questionei muito o custo-benefício de qualquer coisa) mas esses “sacrifícios” me renderam não mais que uma ou duas cervejas a menos numa noite ou uma balada cara que não quis ir (além do apelido de João miséria que alguns amigos me puseram, haha)

Isso é um princípio básico da economia, se 20% fica muito pesado comece com 10% e conforme seu salário aumenta vai também aumentando a porcentagem que guarda. Foi assim durante 3 anos e meio, alguns meses antes da viagem comecei a realocar o dinheiro da minha poupança me preparando para cair fora e mochilar por ai.

Mas e o orçamento durante a viagem?

Bom…dai o bixo pega um pouco mais. No começo do ano o governo começou a taxar qualquer transação no exterior (tirando o cambio de moeda), ou seja, se não perdesse na taxa de cambio perderia para o governo. Mas existem ainda soluções para isso. Para minha viagem (e com um conhecimento básico melhor sobre economia) resolvi diversificar meus investimentos. Mas antes tive que estabelecer um orçamento de gastos diários.

Com base no que gastei nos mochilões de férias de 2009, 2010, 2012 e 2013 mais uma média de gastos em São Paulo (descontando gastos com despesas fixas que não teria mais) estabeleci uma média de R$ 3.000,00/mês, ou seja, R$ 100,00/dia (incluindo passagens).

“Mas João! Isso é muito pouco!”

Daí depende do seu estilo de viagem, quanto tem e quanto tempo quer ficar na estrada. Meu estilo de viagem é ficar de couchsurfing ou na casa de amigos, comer nos lugares não turísticos (quando não fazer comida em casa mesmo) e procurar sempre o mais barato possível. Uma viagem de 2 anos não é uma viagem de férias. Durante esse tempo será meu modo de vida e como tal tenho que pensar como alguém que vive e trabalha em cada lugar. E também lembrando que isso é uma média, aqui no Chile está dando certo (nas primeiras semanas me passei mas foi para me acostumar com o ritmo, é normal) e creio que em grande parte da América do Sul também será. Com certeza na Europa irei gastar mais mas a Ásia compensa.

Resumindo em um ano de viagem pretendo gastar R$ 36.500,00 ( o valor de um carro), não é muito né?

Diversificando os investimentos

Agora é hora de pensar não só em sua viagem, mas em sua segurança caso tudo der errado e você voltar com uma mão na frente e outra atrás para o Brasil. Eu não tenho uma família que possa me sustentar muito tempo quando voltar então investi em CDB o suficiente para viver 6 meses no Brasil. Essa grana fica lá rendendo caso precise.

E é fato que se uma viagem de 2 anos custa R$ 73.000,00 não preciso levar todo esse dinheiro de uma vez, portanto apliquei outra parte para ficar rendendo mais 1 ano enquanto não preciso.

Com o restante tenho as seguintes opções

  • Cambio: Não inside IOF porém você paga taxa de turismo e as vezes taxa de cambio.
  • Travel Money: Nunca gostei dessa opção pois não aceitam em todos os lugares e agora incide IOF (6,78%). Era vantajoso com o dólar baixo, agora que a cotação se estabilizou não vejo muita vantagem.
  • Cartão de crédito: EXCLUSIVAMENTE para emergências. Caso não seja necessário que fique guardado na carteira. A vantagem do cartão é que a cotação de fechamento da fatura é a comercial, porém com o cenário instável do Brasil você pode ter uma bela surpresa ao pagar a fatura. Outra coisa que pega é que é muito difícil se organizar. Pelo menos eu vou gastando..gastando e no outro mês vejo o pequeno montante que vai sair da minha conta para pagar isso tudo. E também incide os 6,78% de IOF.
  • Cartão de débito: De todas as opções acima é a minha preferida. Com um cartão habilitado você pode sacar a moeda local em qualquer caixa eletrônico de qualquer banco com a cotação do dia. A possibilidade de controle é maior. A desvantagem é que além do IOF tem uma taxa de saque que varia de acordo com o banco que está usando. Aqui no Chile o saque no Itaú custa como R$ 15,00 e no Santander R$ 25,00. Então recomendo saques grandes para o mês, assim economiza nas taxas.
  • Conta no exterior: Existem dois bancos que tem essa opção para brasileiros, o Banco do Brasil e o HSBC. Esse último está para encerrar suas operações em terras verde e amarelas além de necessitar de uma justificativa para transações entre países. Então fiquei com a primeira (vou explicar melhor como funciona daqui a pouco). As vantagens são que você fica a salvo da flutuação do câmbio, tem uma reserva em dólar e não paga IOF (pois as leis que incidem no débito são de outro país, no meu caso dos EUA), a desvantagem é que o primeiro depósito deve ser de US$ 10.000,00 e se seu saldo for menos que isso começa a incidir uma taxa de administração de US$ 15,00 ao mês (que colocando na ponta do lápis é menor que os 6,78% de IOF)

De novo o lema é diversificar.

Eu peguei o equivalente a 6 meses de viagem e troquei por dólar (quando ele estava mais baixo), outro ano de viagem depositei numa conta no Banco do Brasil Américas e deixei um pouco na minha conta no Brasil para sacar no débito enquanto estou pela América do sul. Assim salvo quase 7% da minha grana durante os últimos 18 meses de viagem.

O plano é utilizar o débito enquanto estou na América do Sul. Na América central, EUA e Europa utilizar minha conta no BB Americas (e dinheiro quando for vantajoso) e onde houver uma escassez de caixas eletrônicos utilizar meus dólares. Só o tempo vai dizer se tomei a decisão certa.

Como abrir uma conta no BB Americas?

Se você for em qualquer agência no Brasil para perguntar sobre pode perder as esperanças. Quase ninguém sabe do que se trata e quando sabem não conhecem o procedimento, porém é muito fácil.

Basta entrar no site do Banco do Brasil Américas e solicitar a abertura de uma conta. Eles abrirão uma conta de email criptografada para que se comuniquem e troquem documentações. Ao final te enviam uma leva de documentos que devem ser assinadas e enviadas pelo correio para a sede em Miami juntamente com a cópia de dois documentos de identidade com foto (enviei minha identidade e passaporte escaneados) juntamente com comprovante de residência e o extrato dos últimos dois meses da sua conta no BB Brasil (sim, você precisa ter uma conta no Banco do Brasil de pelo menos dois meses de vida para abrir uma conta lá). Assim que seus documentos cheguem aos EUA demora uns 20 dias para análise e então te ligam para tirar algumas dúvida e detalhes sobre a conta. Então você deve ir a uma agencia do BB e fazer uma transação swift de US$ 10.000,00 para sua nova cona nos EUA. Assim que a transação for feita 2 dias depois sua conta será confirmada e seu cartão de débito enviado a sua casa no Brasil ( a um salgado custo de US$ 60,00).

Vantagens de uma conta nos EUA:

  • IOF de meros 0,38%
  • Possibilidade de transferir dinheiro do Brasil para os EUA com a cotação comercial do dia sem incidência de taxas.
  • Blindagem contra flutuações do dólar.
  • O atendimento pode ser feito em português. Então não há problemas caso não domine o inglês. Um dia esqueci meu login e liguei via skype, foi resolvido em 5 minutos.

Bom…acho que é isso. Se tiverem alguma dúvida só perguntar, 🙂

 

 

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