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Morei praticamente 10 anos nessa ilha, então sou suspeito para falar, sempre que chego nela me bate um misto de saudade e nostalgia.

Depois de sair de carona de Porto Alegre 6 hora depois chego em Florianópolis (Floripa para os mais íntimos), capital do estado de Santa Catarina e dona de mais de 40 praias, gente bonita e natureza incrível. Durante o verão palco de migração de milhares de turistas de todas as partes do Brasil e do mundo.

Floripa e suas praias

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Praia da Galheta – a única praia de nudismo (opcional) da ilha.

A Ilha da Magia tem praia para todos os tipos de gosto. Das mais naturais, onde você precisa caminhar horas no meio da mata para chegar, às mais urbanas. Essas palco de bares, shows e elitizadas “beach parties”.

A geografia da ilha (que tem um dos piores índices de mobilidade urbana do país) faz com que Florianópolis se comporte como um aglomerado de “pequenas mini vilas”. Um bairro é completamente diferente do outro. A Lagoa da Conceição, por exemplo, tem um ar meio “hippie” habitado por muitas pessoas de fora enquanto Jurerê e suas mansões ostentam um Brasil elitizado e segregado.

Bom…isso tudo faz parte da magia de ilha.

Floripa e a poluição

Um problema crescente de Floripa é a poluição. Com o aumento desordenado da cidade, uma migração crescente de pessoas em busca de qualidade de vida (a cidade tem um dos maiores IDHs do Brasil) e a bolha imobiliária faz com que muitas empreiteiras tentem passar por cima de leis ambientais para erguerem prédios e ganharem dinheiro satisfazendo pessoas em busca de um bom lugar para viver (e que em breve não estará mais tão bom).

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Placa na beira da Lagoa da Conceição

Tudo isso mesclado com uma gestão municipal vergonhosa. Florianópolis tem o pior transito que já vi (pior que o de São Paulo), mais de 25% das águas impróprias para banho, desmatamento de áreas de preservação e a briga constante dos sindicatos de moradores (que ainda bem ainda são fortes o suficiente) contra governo e construtoras.

A ilha é um dos destinos mais procurados do Brasil porém durante a temporada se sofre com falta de água, luz e muuuuito transito. A falta de estrutura para o turismo é evidente. Mas ainda assim “magicamente” vale a pena estar por lá.

Floripa e sua gente

O “manézinho” (como é chamado o Florianopolitano nascido e criado na ilha) é um ser de idioma inteligível, não gosta de turistas na sua terra e tem um estilo de vida mais “de boa”.

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Floripa e sua gente é um espetáculo a parte

Com o êxodo de pessoas indo para a ilha nas últimas décadas, seja para estudar (a cidade comporta a Universidade Federal e Estadual de SC além de muitas outras) ou em busca de qualidade de vida a população está bem misturada. É difícil não conhecer alguém que era de outro estado e acabou ficando.

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E para ninguém falar que só botei foto de mulher aqui.

Floripa ainda é uma cidade pequena com mercado limitado. Além do turismo (quase restrito a temporada de verão) a maioria da população vive do funcionalismo público e do setor de serviços. Nos últimos 10 anos começou um boom de empresas (principalmente em Palhoça, fora da ilha) e de emprendedores querendo investir (e viver) na cidade. Nos últimos anos a ilha entrou na lista dos pólos inovadores e tecnológicos do Brasil, quer dizer que essa mistureba de gente tem mexido na ilha. Vamos ver onde tudo isso vai dar.

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Armação e seus barcos pesqueiros

Floripa e suas lendas

Florianópolis não é chamada de “ilha da magia” só pela sua beleza, mas também pelas diversas lendas que circulam pela região, como bruxas, lobisomens e sereias.

Floripa foi colonizada por açorianos (dai vem o português carregado de seus habitantes) e nos açores se acreditava que as bruxas pegavam suas vassouras e iam viver nas ilhas. Um dos contos mais famosos é a da festa das bruxas, que foi realizada na praia de Itaguaçu, em coqueiros. A bruxas não convidaram o diabo, que cheirava muito mal porém ele descobriu, foi ao local e transformou todas em pedra.

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Pôr do sol na praia de Itaguaçu e suas pedras

Meu amigo e grande Ilustrador João Pedro fez a animação de um dos contos de Franklin Cascaes, escritor catarinense que utilizou as lendas da ilha como base para seus livros.

Floripa e a cidade

Um dos maiores IDHs do Brasil, pólo tecnológico e de inovação, festas, turismo, praias, natureza, gente bonita…o que mais você precisa?

Tudo isso tem um preço. Preços inflacionados, salários não tão bons, transito, aumento da violência, despreparo do governo, falta de infra estrutura turística, poluição e desmatamento.

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Detalhes que fazem toda diferença

Floripa ainda é o paraíso, mas se quem mora (ou quem quer morar lá) não se preocupar em preservar todo esse legado em breve a ilha vai afundar.

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