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Tomei um barco de Iquitos (daqueles cheio de redes) para Letícia, na Colômbia. O barco é o único meio de transporte para as várias pessoas que vivem nos povoados ribeirinhos pelo meio da Floresta. Também é a maneira como chegam todos os mantimentos a eles.

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Barco saindo com carregamento para as comunidades.

Entrei no barco e consegui negociar um desconto na passagem. Para 1 dia e duas noites de viagem, com refeições (bem ruinzinhas e pequenas, caso encare a aventura leve muitos snacks) foram 50 Soles (R$ 50). Comprei uma rede no mercado de Belém e montei no segundo andar (é importante chegar cedo, mais ou menos com 3 horas de antecedência para conseguir um bom espaço).

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Pessoal já assentado após o barco partir. Seriam 1 dia e 2 noites viajando.

Bom, minha boa localização não valeu muito. Como tudo no Peru o barco também não tinha muita organização, portanto dormi com uma rede encostada na minha e outra praticamente em cima (quando acaba o espaço o pessoal monta uma segunda camada de redes mais altas), portanto quando levantava quase dava com a cara na bunda do sujeito que estava dormindo na rede de cima.

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Segundo andar do barco. Ai que eu estava “hospedado”.

Foi uma viagem tranquila apesar da comida ruim e do banheiro imundo. Um dia nessa situação se aguenta, mas estava rezando para que o barco que fosse para Manaus (do qual iria passar 3 dias e 3 noites) fosse diferente.

A tríplice fronteira no meio da floresta

Chegamos em Santa Rosa, ainda no Peru de manhã cedinho depois de 36 horas navegando pelo rio Amazonas. Santa Rosa (Peru) é separada de Letícia (Colombia) pelo somente pelo rio. Basta cruzá-lo que você muda de país pagando 2 soles para qualquer um dos barqueiros que fazem a travessia. Não existe fronteira ou controle migratório nessa parte, para carimbar minha saída do Peru tive que caminhar para dentro da vila de Santa Rosa e achar a casinha da polícia migratória.

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Araras dando as boas-vindas em Santa Rosa.

Como cheguei às 6 da manhã e a polícia abria somente as 9 fiquei tomando café com o tiozinho ao lado e perguntando sobre a vila. Santa Rosa tem muitos bares e baladas, o tiozinho falou que durante o fim de semana muita gente de Letícia cruza o rio para festar por ali e as pousadas e hotéizinhos agradecem com os casais que se formam e acabam cruzando o rio só pela manhã.

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Voluntária européia lendo para crianças locais em Letícia.

Polícia aberta e lá vou eu enfrentar problemas na migração novamente. Lembram que lááá em Puno me deram 30 dias de permanência no Peru? Pois é…estourei o prazo, fiquei 46 dias. Para cada dia a mais tive que pagar 1 dólar de multa.

Tentei conversar com o policial mas não teve jeito. E ele ainda queria supervalorizar a moeda. Reclamei do preço e chegamos num meio termo. Paguei os 16 dólares, que se tornaram 50 soles e fui pegar o barco para Letícia.

Letícia, a Amazônia colombiana

Letícia é a cidade mais ao sul da Colômbia e completamente isolada do restante do país, mas ainda assim é um ponto importante para o comércio entre com o Brasil e Peru.

A cidade tem uma história conturbada. Grande parte dos seus 30 mil habitantes são de famílias que vieram de Bogotá trazidas pelo governo nos anos 40 para assegurar a fidelidade para com a Colombia após uma guerra contra o Peru pelo domínio da região. Muito antes da batalha, lá por 1600 o lugar já era alvo de conflitos entre portugueses e espanhóis assim que começaram a navegar pelo Amazonas e clamar pelas demarcação da floresta.

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Jardim do museu e biblioteca de Letícia

Letícia também foi durante muito tempo a rota principal de tráfico de drogas para o Peru e Brasil, reza a lenda que se comprava pó livremente nas ruas e muitos chefes dos Cartéis colombianos construíram suas casas e seu império na cidade. Por décadas a economia se baseava na cocaína até que em 2003 o presidente em exercício foi a Letícia passou 2 semanas na cidade ouvindo a população, prometeu melhorar a infra-estrutura para o turismo assim como dar mais importância ao comércio entre os países melhorando do Porto da cidade.

A região cresceu tanto que praticamente se uniu à vizinha brasileira Tabatinga. A divisão entre as duas hoje praticamente não existe. Se dá por um tímido monumento, meia dúzia de cones e um posto policial colombiano. O acesso é livre sem necessidade de apresentação de documentos. Você está caminhando por uma avenida onde as pessoas estão falando e tudo ao seu redor está em espanhol e metros depois tudo está em português, é um tanto estranho e te dá um nó na cabeça.

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Parque da cidade

Não tem muito o que fazer em nenhuma das cidades. O turismo de Letícia se resume a visita a algumas tribos que vivem por perto (eu não fui mas me parece mais natural que os pacotes de Iquitos) e pacotes de visita a selva (extremamente caros). A cidade em si é pequena e em um dia já é possível conhecer tudo (museu e biblioteca da cidade, praça principal, mercado do porto e a meia dúzia de bares e baladas. Tabatinga não tem atrativos, geralmente o pessoal vai a Letícia para sair. Fui para lá somente para comprar açaí (puro e extremamente barato), comprar minha passagem de barco para Manaus e coisas em real com cartão de débito sem taxas extras.

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