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A 80 km de Cusco no meio de uma floresta cercada de montanhas está a mais impressionante e misteriosa cidade Inca; Machu Picchu.

Construída a pouco mais de 2430m de altitude a cidade foi abandonada por sua população antes da conquista pelos espanhóis, que nunca chegaram a encontrará-la. Esse talvez seja o principal motivo de porque está intacta e não tenha sido completamente destruída, como ocorreu com as outras cidadelas do império.

machu picchu

Machu Picchu

Em 1981 toda a região foi instituída como “Vale Sagrado” (e zona de preservação permanente) pelo governo do Peru e as ruínas consideradas patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO em 1983. Em 2007 Machu Picchu ganhou o título de uma das 7 maravilhas do mundo moderno através de um concurso realizado pela internet (e nunca reconhecida pela UNESCO pelo caráter informal das escolhas).

Já vou avisando, ir a Machu Picchu é CARO! A entrada é cara, as trilhas guiadas são caras, o trem é caro… mas existem várias formas de se chegar lá, umas mais outras menos caras e/ou demoradas.

Como ir a Machu Picchu?

Existem 3 pacotes diferentes de trilhas: Inca Trail, Salkantay Trail (que eu fiz e vou descrever mais abaixo) e Jungle Trail. Todos os passeios já incluem guias, todas as refeições, transporte, barracas/hospedagem, entrada para Machu Picchu e ticket de retorno de trem.

O caminho Inca é o mais famoso e caro (custa cerca de US$ 500,00 por 3 dias de caminhada. As reservas devem ser feitas pela internet e com muita antecedência, já que o limite pra percorrer a trilha é de 500 pessoas/dia.

O caminho de Salkantay é um trecho de 5 dias que circunda a montanha sagrada de Salkantay. É um trekking pesado mas compensador pelas belas paisagens. Esse pode ser fechado na hora em Cusco mesmo e o valor transita entre US$ 280,00 e US$ 350,00.

Salkantay

Montanha de Salkantay

O Jungle trail é para quem gosta de esportes radicais. Você vai chegar chegar a Machu Picchu depois de fazer montain bike, rafting, tirolesa, etc. O trajeto dura 3 dias e é o mais barato. Se pode encontrar por US$ 150,00 a US$ 200,00.

IMPORTANTE: Em Cusco você vai encontrar todo o tipo de preço. Lembre-se que você vai estar durante dias no meio da selva. Uma infraestrutura básica e guias treinados e preparados são essenciais para um passeio proveitoso e seguro. A trilha Inca tem fiscalização e é exigida uma licença para que as agencias possam circular por lá, porém os outros dois pacotes são livres, qualquer um pode fazer. Se informe sobre a agência antes de comprar, um bom termômetro é ver a nota e comentários no TripAdvisor.

Bom…se você quer economizar e gosta de ser mais independente pode se aventurar a fazer a trilha de Salkantay de forma independente. Não é difícil se localizar (basta seguir os grupos) porém esteja preparado para fazer uma trilha bem mais pesada pois vai ter que carregar sua barraca, saco de dormir e mantimentos com você durante os 5 dias. Não sei se eu daria conta não.

Salkantay

Caminho do primeiro dia de trekking

O outro caminho mais rápido e barato é pegar um ônibus ou van até a hidrelétrica de Santa Teresa e caminhar 13km pelos trilhos até Águas Calientes. Lá você se hospeda e no outro dia sobe a Machu Picchu.

Se você tem grana sobrando mas não muito tempo com um trem de Cusco a Águas Calientes você pode ir e voltar no mesmo dia a Cusco. É caro (o ticket de trem custa entre US$ 50,00 e US$ 90,00, dependendo do horário) e você perde a mágica de todo o caminho, além do nascer do sol em Machu Picchu.

Caminho de Salkantay

Escolhi fazer o caminho de Salkantay por ser mais barato, mais intenso e mais duradouro que o caminho Inca. Fiz a reserva pela internet com medo de não ter mais vaga (Machu Picchu tem um limite diário de 2.500 pessoas) porém foi besteira. Chegando em Cusco você consegue negociar melhor e pagar muito menos que fechando pela internet. Os tickets de entrada para não esgotam (e caso esteja preocupado pode comprar só o ingresso pela internet depois pode pedir para descontarem do valor do pacote).

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Caminho para a montanha

Caso você queira subir na montanha de Huayna Picchu aí sim deve comprar com (bastante) antecedência. São ingressos separados e como somente 250 pessoas/dia podem subir lá as reservas se esgotam muito rápido.

O trekking pelo Salkantay dura um total de 5 dias e os dois primeiros são os piores (subida até a base do Salkantay, a 4.600m de altitude). Os outros dois dias são de descida até Águas Calientes e o último dia é dedicado somente a Machu Picchu.

Dia 01 – Caminhada pelo Vale

Acordar as 4 da manhã durante uma noite fria em Cusco já é o primeiro desafio a se enfrentar. Entramos em um ônibus lotado e partimos para uma vilazinha a mais ou menos 2 horas da cidade. A paisagem impressiona. Chegando lá para quem quiser há café da manhã (a um precinho nada módico) e depois ônibus novamente até nosso ponto de partida.

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Vista do começo da caminhada

O primeiro dia consiste numa subida até o vale que termina na base do gigante Salkantay. A vista do vale é espetacular com a montanha de fundo. Após cerca de 6 horas de caminhada chegamos no primeiro acampamento.

Esse acampamento fica na base de uma montanha com um lago de degelo em frente. Mas para alcança-lo você deve continuar a subir durante mais 90 minutos, e na altitude não é nada fácil, mas vale a pena. O lago é lindo e sua água calma refletindo a montanha a frente é maravilhoso.

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Lago de glaciar ao final do primeiro dia de trilha.

Essa é a noite mais fria da caminhada. A temperatura no meio da madrugada chegou a -9 graus.

Dia 02 – Salkantay

Recuperado da primeira parte é hora de encarar o pior dia do trekking que é a subida até a base do Salkantay e a posterior descida até o camping. São cerca de 10 horas de caminhada chegando a uma altura de mais de 4.600m.

Salkantay quer dizer “Montanha selvagem” em Quechua. A montanha era uma das principais divindades dos Incas na região de Cusco por ser tão alto que “tocava o céu” em tempos de chuva. Era associado a fertilidade e ao clima.

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Parte do caminho percorrido até o Salkantay

O monte realmente impressiona e sua base fica entre outras duas montanhas que dão entrada para um vale. Lá nosso guia fez um ritual de oferenda para a montanha e seguimos trajeto.

A subida é tensa e exige uma certa adaptabilidade com a altitude. É bem comum ver viajantes passando mal e outros optam por alugar jumentos na noite anterior e subir com eles até lá.

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Montanha de Salkantay a mais de 4.600m de altitude. Lugar sagrado para os Incas.

Depois do ritual foi hora de começar a baixar. Caminhamos por um vale que parecia cenário de filme de suspense. A vegetação era como uma tundra e o clima muito úmido, com uma neblina fantasmagórica nos cercando. Após descer o vale foi hora de parar para o almoço. (sim! Ainda estávamos no meio do dia.)

Após um merecido descanso continuamos a caminhada pelo vale. É interessante observar a mudança da flora e fauna conforme vamos baixando. Estávamos em um terreno estéril e frio (4.600m), passamos por uma tundra úmida e agora adentramos numa floresta tropical com pássaros cantando, borboletas, grandes árvores, calor, umidade e porque não, mosquitos!

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Caminho para o camping no segundo dia.

No final do vale chegamos ao nosso acampamento, esse com um chuveiro quente ( a 10 soles) e a barraca já estava lá montada para descansar.

Dia 03 – Termas e festa para relaxar.

O terceiro dia rendeu mais 6 horas de caminhada. Levantamos as 5 da manhã e uma hora depois já estávamos na estrada. O objetivo era chegar no lugar do almoço entre 11 e 12 e poder usufruir das termas mais cedo, fora do horário que as outras agencias chegam.

O caminho era plano por uma estrada onde passavam alguns carros. Chegamos em um pequeno vilarejo, almoçamos e lá estava esperando por nós um microônibus para nos levar ao camping onde iríamos dormir.

jogo sapo

Jogo do sapo. Muito tradicional na região. Consiste em acertas moedas nos buracos, cada um vale uma quantidade diferente de pontos. A boca do sapo é o que vale mais.

Chegando lá deixamos as coisas num quarto e fomos nos banhar nas águas termais lá perto. O custo era a parte (15 soles no total – 10 para o ônibus e 5 para as termas). O complexo termal era composto de 3 piscinas de diferentes temperaturas, todas feitas de rochas e a céu aberto. Super agradável se não fosse meu gesso (tive que ficar de gesso no braço durante 1 mês desde meu acidente em San Pedro de Atacama) que me fazia ficar de braço levantado o tempo todo, rs. Depois de um par de horas de molho foi o momento de tomar um pisco sour para espantar os mosquitos e voltar ao acampamento. Durante a noite teria uma pequena festinha.

yoga

Yoga no acampamento

No jantar também nos foi apresentada a opção de percorrer parte do caminho até a Hidrelétrica de Santa Teresa (que era de cerca de 13km) de tirolesa, uma das mais altas do mundo, pelo módico precinho de 100 Soles (grosseiramente o mesmo valor em reais).

Por mais que estivesse animado não quis gastar esse dinheiro (que depois torrei de formas mais banais, rs) e optei por caminhar com outros 5 até a hidrelétrica. Todo o resto optou pela tirolesa.

Após a janta o que deveria ser uma festinha acabou se tornando um festão com gente (muito) bêbada e pegação entre os guias e umas gringa, faz parte…haha. A ressaca (física e moral) no outro dia não iria ser fácil.

Dia 04 – Mordomia em Águas Calientes

Depois de acordar com ressaca às 6 da manhã e tomar o último café preparado pelo grupo do trekking hora de arrumar as coisas e partir para a caminhada. Foram 13km até a hidrelétrica, onde almoçamos em um restaurante e mais 12km para chegar a cidadezinha de Águas Calientes.

machu picchu

Caminho para Água Calientes

Lá teríamos uma pousada com cama, banheiro, ducha quente, TV a cabo, internet e todas essas mordomias que as pessoas anseiam depois de 4 dias caminhando e dormindo em barracas. Para chegar lá foi só seguir o caminho dos trilhos do trem, um percurso cheio de mochileiros indo e voltando pois todos os pacotes levam aos trilhos.

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A montanha Machu Picchu, onde a cidade foi construída (ela está do outro lado dela)

No final da tarde chegamos à cidade de Águas Calientes, que vive basicamente dos turistas que lá pernoitam para ir a Machu Picchu. Há muitos restaurantes, pousadas, mercados, lojas de artesanato e uma estação de trem de onde desembarcam as pessoas direto de Ollantaytambo.

Uma bela ducha, jantar básico no restaurante e cama! Daquelas macias com edredons, travesseiros e o barulho da chuvarada que caia la fora (e que rezava para passar até o outro dia). Seria uma ótima noite.

Dia 05 – A mágica de Machu Picchu

No outro dia deveríamos acordar as 4 da manhã para que víssemos o amanhecer na cidade inca de Machu Picchu. Acordei e a chuva estava torrencial, ela não deu trégua a noite toda. Fui em época de seca para lá e o ÚNICO dia que chove é quando vou subir Machu Picchu, mas tudo bem. Só resta sorrir e esperar para que passe.

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Tentando tirar a beleza da chuva.

Fomos para a fila no portão do parque, que abre às 5 e começamos a subir os quase 1800 degraus até a entrada das ruínas. Esse trajeto pode ser feito de ônibus (por meros 12 dólares).

Claro que subi os degraus.

Cheguei na entrada, entrei na fila para entrar e achei o nosso grupo (que estava adiantado e o guia já explicando sobre o lugar, com muita má vontade e nitidamente louco para sair dali e descansar).

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Neblina e mais neblina…

Não dava para ver nada, a neblina era total, o tempo estava fechado, estava chovendo. Onde estava a Machu Picchu das fotos? Onde estava toda aquela magia?

Bom…restava ir para o café esperar e ver se o tempo abria.

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A magia escondida entre as nuvens.

O bilhete de entrada te dá direito a sair das ruínas 3 vezes, seja para comer ou para ir ao banheiro. Sentei no café, comi e bebi algo e fiquei junto com parte do grupo esperando para ver se o tempo melhorava. Lá pelas 11 da manhã o sol começou a aparecer e as nuvens a dispersarem.

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Agora sim!! Vista espetacular!

Parecia mágica o que aos poucos eu conseguia admirar. Uma cadeia de montanhas arredondadas e muito altas a minha frente. Uma vista espetacular, que nunca havia presenciado em outro lugar. A disposição da cidade e sua arquitetura é incrível. Eles podiam plantar e criar animais lá em cima sem maiores problemas e a sintonia com a natureza era evidente. A energia que o lugar emana é imensa (várias vezes me peguei imerso na ansiedade de tirar fotos e nas pessoas passando, mas se você consegue se isolar em um lugar onde pode ter silencio e admirar tudo aquilo absorvendo sua energia faça pois a sensação é incrível).

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Clássica foto da maravilha Inca

Ficamos nas ruínas até as 14:30, que era estourando o tempo de sair de lá, descer tudo aquilo e pegar o trem que saia de Águas Calientes às 16 hrs.

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Minha nova amiga

E foi quando chegamos…5 min antes de abrirem os portões. O trem vai até Ollantaytambo (com serviço de bordo como de um avião) e de lá uma van contratada pela agencia te leva a Cusco. Caso queira passar uma noite en Ollantaytambo (existem algumas ruínas por lá) pode pegar um táxi compartilhado a Cusco. Dividindo entre 4 pessoas custa somente 10 soles para cada. Chegamos em Cusco às 22 horas sob a música e dança do primeiro dia de festejos do Inti Waymi, festival do qual pude conferir durante os próximos 10 dias que fiquei pela cidade.

 

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