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Eu definitivamente não gostei de Montevideo. Não sei se foi pela cidade em si, por eu ter me encantado por Buenos Aires e ter desembarcado numa cidade que achei sem sal ou o baque de sentir a frieza do povo uruguaio depois de passar 3 meses no calor dos chilenos e argentinos.

Conheci pessoas que acharam Montevideo uma pequena Buenos Aires, eu discordo. Pessoas que gostaram de Montevideo, eu respeito. Mas pelo meu ponto de vista é que é a capital mais sem sal que já passei na minha vida. Dei 3 estrelinhas pois conheci por acaso pessoas sensacionais que fizeram minha estada lá mais divertida. (eu sempre falo que no fundo viajar não é sobre lugares, é sobre pessoas. E elas sempre fazem a diferença.)

Avenida que leva ao congresso (ao fundo).

Montevideo é a maior cidade do Uruguai com cerca de 2 milhões de habitantes. Ela está na sétima posição entre as principais cidades da América Latina e tem um pólo tecnológico e de empreendedorismo em plena expansão. Também é  a quinta cidade mais “gay-friedly” do mundo apesar de que a impressão que eu tive durante a semana que fiquei lá foi de que o povo é bem tradicionalista (palavras inclusive de um gay que conheci e estava louco para ir embora da cidade e casar com seu namorado alemão).

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Centro da cidade

Como perceberam nesses 3 primeiros parágrafos parece que a capital do Uruguai é aquele tipo de cidade paradoxal, no qual atinge de maneira muito específica cada pessoa que bota os pés lá. Outro grande exemplo foi que apesar de achar a cidade extremamente homogênea (tanto na arquitetura quanto na cultura e até no estilo da população) o Lonely Planet a classifica como “vibrante, um lugar eclético com uma vida cultural muito rica”.

Montevideo e a história do Uruguai

Uma das coisas que posso dizer que Montevideo tem é museu. De todos os tipos, em cada esquina pode encontrar um deles e dos mais variados temas. Porém senti falta de algum museu sobre a história do Uruguai. O que mais se aproxima disso é o museu que se encontra no primeiro andar do antigo prédio da presidência onde você pode ver quadros de cada um dos governantes do país e as realizações de cada um. O Uruguai já pertenceu a Espanha, Inglaterra, Argentina, Portugal e inclusive já foi território brasileiro antes de se tornar independente.

Estranhamente tive a impressão que o processo democrático uruguaio não evoluiu devido a guerras ou revoltas populares, muito menos por ditaduras militares (apesar de ter sido governada por eles durante muito tempo). Todo o processo de transição para o voto popular pareceu ter sido natural. Acho que isso se reflete nos costumes do uruguaio.

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O carnaval do Uruguai é o maior do mundo em duração e uma festa muito tradicional no país. Durante o período há peças de teatro e apresentações nas ruas e muita festa aos fins de semana.

É engraçado como a história de um país tem uma relação muito íntima com o comportamento de seu povo. Como falei no post sobre Buenos Aires a dramaticidade e intensidade do argentino tem muito a ver com a situação política conturbada durante décadas, arrisco dizer que durante mais de século, do país. O povo uruguaio me parece o oposto. É apático, um tanto frio e distante. Vive reclamando do país e do povo. As vezes nem parece latino, se assemelha muito ao europeu.

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Costanera. A avenida e o calçadão que costeia boa parte de Montevideo e seu mar marrom por causa do desague do rio da Plata.

Eu percebi esse comportamento em mais de uma situação. Mas uma das mais simbólicas foi quando, depois de ficar mais de 3 horas debaixo de um sol escaldante tentando pedir carona eu voltei para a rodoviária para pegar um ônibus. Como não havia almoçado parei numa padaria e pedi uma empanada, então comentei com a moça o que havia passado e ela falou “Você está no Uruguai, nós somos estranhos mesmo.”

O povo uruguaio também tem ideais muito progressistas comparado com seus vizinhos. A legalização da maconha e do aborto e a instituição do casamento igualitário são algumas das medidas em que o país é pioneiro na América, isso quando falamos de medidas que ainda são tabus para quase toda a América Latina. Durante a história o Uruguai foi pioneiro em instituir o divórcio, o segundo em conceder o direito do voto as mulheres e o primeiro país em legalizar a adoção homoparental.

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Centro de apresentações e oficinas voltados ao jovem.

Muita gente fala que essa visão inovadora e progressista vem da adoção de um estado completamente laico desde o princípio de sua independência, onde é proibido o ensino de religião nas escolas e inclusive não existem feriados religiosos no calendário, todos os dias cristãos tiveram seus nomes alterados. A Páscoa por exemplo virou “Semana de turismo”. A única data em que o governo não conseguiu alterar foi o natal, apesar da tentativa de transformá-lo em “dia da família”.

Montevideo e a paixão pela cultura antiga

Outra coisa que me impressionou é a quantidade de museus de história antiga. Um dos principais museus da cidade traz réplicas de arte grega, romana, egípcia (que também tem um museu próprio destinado a egiptologia) e mesopotamica.

Outro museu se destina a falar sobre as civilizações antigas da América do qual cita muito pouco os índios que viviam no Uruguai (e que foram totalmente dizimados pelos espanhóis. Praticamente toda a população uruguaia é descendente direto de alguma nacionalidade européia).

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Múmia original na parte voltada ao Egito no Museu de Arte.

O museu mais “uruguaio” é o pequeno museu do gaúcho, que se destina a contar a história d0 povo mestiço que se originou nos pampas argentinos e perpetuou seus costumes por toda a região sul do Brasil, Chile e Argentina assim como todo o Uruguai.

Montevideo, suas feiras, parques e praias

Talvez o que faça Montevideo parecer com Buenos Aires seja a quantidade de parques. O principal parque da cidade é o Rodó, que sedia uma grande feira todos os domingos. Aliás, domingo é dia de feira na cidade, elas se espalham por ruas e praças por toda a cidade vendendo todo o tipo de bugiganga.

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Feira da rua Tristan.

As praias que costeiam a região não são muito atrativas, o mar é marrom devido a corrente do Rio La Plata e pouca gente se aventura ao banho, mas as largas faixas de areia servem para jogar um futebol, , correr ou somente tomar um sol. Caminhar pela Costanera ou botar o pé na areia já alivia um pouco o fato de se estar na cidade.

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Praia de Montevideo.

Como falei anteriormente eu não gostei de Montevideo. Porém ela é uma cidade que encanta a alguns e desencanta a outros. Se tem planos de visitar o Uruguai vale dar uma passadinha e conferir qual vai ser sua impressão da sua capital.

 

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