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Desde 2009, quando fiz meu primeiro mochilão e descobri o Parque Nacional Torres del Paine eu prometi a mim mesmo que tinha que voltar a Patagônia para conhecer esse que é um dos principais destinos para trekking no mundo e considerado patrimônio da biodiversidade pela UNESCO.

Aliás, o parque foi um dos principais motivos de eu ter começado minha viagem indo para o sul. Assim conseguiria visitá-lo em uma época ainda agradável (e infelizmente durante a temporada, mas não se pode conseguir tudo né?).

Torres del Paine recebe cerca de 200 mil visitantes ao ano, principalmente entre os meses de dezembro e fevereiro pois a partir de março as temperaturas começam a cair e o ventos (que já são fortes durante o verão) a aumentar.

torres del paine

As torres vistas da estrada, a caminho do parque.

Para visitar o Parque existem várias opções. Caso você seja mais endinheirado pode se hospedar nas pousadas e hotéis que existem nos principais acampamentos e fazer day-trips para os principais destinos (Glaciar Grey, Vale Francês e as Torres del Paine). Também é possível chegar de carro e fazer uma day-trip até as Torres (são 16 kms feitos entre 8 e 10 hrs de caminhada – ida e volta).

Também existem três circuitos de trekking, o circuito “W” que é o mais famoso do parque onde se percorre a face frontal das Torres num percurso que dura de 4 a 6 dias (dependendo do seu condicionamento) e o circuito “O”, que circula as torres por trás e inclui o circuito W pela frente, geralmente ele é feito em 9 dias, conheci pessoas que já estavam a 12 no Parque e não o completaram, meu desafio foi fazê-lo em 7 dias e 6 noites (adoro desafios! haha). Ainda há o circuito “U”, um pouco menos conhecido, onde se caminha através da “cauda” do outro lado do parque rumo a sua saída. Como falam que a cauda não tem muitos atrativos poucas pessoas a percorrem.

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Circuitos principais do parque. Eu fiz o circuito completo (a linha roxa e vermelha). A maioria dos viajantes faz o circuito W.  Fonte: Google

Vou descrever cada um dos dias para que possa ilustrar da melhor maneira possível como é o parque e meu sentimento dia após dia de caminhada.

Dia 0 – A preparação para uma semana de aventura.

Nunca havia feito um trekking tão grande sozinho e tanto tempo isolado no meio de um parque, então um planejamento era necessário. Minha ideia era ficar 1 semana no parque porém nem sabia se isso era possível, nem que equipamento teria que alugar, que comida teria que levar, quanto custavam os campings, etc…

Durante a viagem ouvi falar da aula que o pessoal do Hostel Erratic Rock dá todos os dias às 3 da tarde em sua recepção. Em pouco mais de uma hora apresentam o parque, as opções de trajeto, distância entre os campings, custos de estadia e comida, dicas sobre o que levar, como é o tempo, etc… Essa tarde foi essencial para que tivesse total noção sobre o parque, montasse meu roteiro e tivesse certeza, que por mais difícil que fosse era possível completar em 7 dias (na verdade depois do curso aumentei para 8, mas no final consegui manter o objetivo, rs)

Logo depois da aula fui até a cabana da CONAF (orgão do governo que fiscaliza os Parques Nacionais do Chile) à poucos metros de distância para fazer a reserva nos campings grátuitos em que iria ficar. É importantíssimo ter um plano, seguir a risca os dias em que vai chegar nesses campings e fazer reserva antecipada na CONAF, principalmente durante a temporada. Vi muitas pessoas sem reserva esperando até quase noite para ver se havia vaga.

Nos campings gratuitos não há infra-estrutura e somente uma latrina como banheiro, uma cabana para cozinhar e espaço para montar a barraca. Mas é de graça e cavalo dado não se olham os dentes, rs.

A segunda etapa foi comprar comida para os 8 dias. Frutas secas, macarrão, arroz, molhos desidratados, atum, maionese e poucas frutas frescas (para os primeiros dias). O importante é sempre lembrar que quanto mais coisa mais pesada sua mochila vai ficar e itens que estragam rápido ou podem quebrar (como ovos) devem ser transportados com cuidados. Você pode comprar comida nos campings, mas custa muito caro, a qualidade é questionável e a quantidade também. Vai de quanto você tem de orçamento.

E a terceira etapa foi alugar um saco e dormir para -5 graus (faz frio a noite), comprar panelas e um fogareiro para cozinhar. Tudo que você precisa para o Parque está disponível para aluguel nos hostels da cidade então se você não vai mais utilizar pode só alugar e devolver. Como minha viagem continua decidi ter algumas coisas para utilizar depois.

E a última coisa a se fazer foi tirar tudo que era desnecessário da mochila e deixar em Puerto Natales (no meu caso na casa do casal de CSers que estavam me hospedando, mas todos os hostels tem lockers disponíveis). Minha mochila tinha basicamente uma roupa para o dia e uma para a noite, além de agasalhos. Não se preocupe em ficar fedido e sujo, todos estarão assim no final da jornada.

Dia 01 – Indo para o Parque.

A primeira decisão foi “Como ir?”. De Puerto Natales a Torres del Paine existem muitas companhias de ônibus operando e eles saem em 2 horários: Às 7:30 e as 14:30. A passagem é salgada, custa 8.000 pesos chilenos o trecho (40 reais mais ou menos).

Decidi tentar carona na saída da cidade. Dei sorte em conseguir depois de uma hora na estrada que um casal que estava indo para uma day-trip parasse.

Chegamos ao parque as 14 hrs mais ou menos e então comecei a jornada. Com uma mochila pesando cerca de 30kg nas costas teria que caminhar 13 km até o primeiro acampamento, o Serón.

Em Torres del Paine por mais que você esteja sozinho sempre tem muitos mochileiros percorrendo o mesmo caminho que você, então companhia para caminhada não faltará. O trecho do Hotel Laguna Amarga ao Serón não tem muitos atrativos e como estava com energia de sobra fiz o percurso em 3,5 hrs.

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Início da caminhada

Cheguei no acampamento, paguei um preço bem salgado (40 reais) pela diária e montei minha barraca. Aí comecei a perceber como é a infra da maioria dos campings do Parque: Você paga caro e não te oferecem nada. O banho que era para ser quente foi frio (quase gelado) e sem pressão, o banheiro sujo e molhado e funcionários mal educados. Depois que voltei para a cidade descobri que se pode fazer uma reclamação formal e se deve exigir o que o camping diz oferecer, nem que os guias abram o banheiro de suas cabanas para os campistas para que tomem um banho quente… mas foi tarde demais. 😛

Depois do banho frio e do macarrão ao molho fungi (desidratado) para o jantar era hora de dormir e madrugar no outro dia.

Dia 02 – Serón à Los Perros.

Acordar cedo nos campings é regra pois todo mundo quer chegar antes e pegar um bom lugar (ou simplesmente chegar cedo não sei porque). Em toda minha vida eu sempre tive problema para acordar cedo, no parque não foi diferente. Quem me expulsava da barraca era o sol que deixava o lugar uma estufa. Então acordei às 7 da manhã (o verão da Patagônia é ingrato, amanhece entre 5 e 6 da manhã e anoitece entre 21 e 22 hrs), preparei meu café, desarmei a barraca e comecei a caminhar as 9. No café da manhã conheci uma garota da suíça que estava também viajando sozinha, eu diria que conhecer ela foi essencial pra que fizesse o trajeto em tão pouco tempo e não nos programados 8 dias.

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Acampamento Serón de manhã cedinho.

Parti rumo ao acampamento Dickinson, foram 18 km de caminhada feitos em 5 horas. A trilha tem algumas subidas duras para quem está ainda com a mochila cheia de comida, é repleta de lagos e mais para o final uma vista estupenda do Glaciar Dickinson.

Cheguei exausto ao acampamento. Um lindo lugar na beira do lago formado pelo degelo do glaciar. Se não fosse a enorme população de mosquitos famintos seria o paraíso na Terra. O lago tinha uma praia com vista para o Glaciar onde alguns se aventuravam a se banhar.

Fiquei mais ou menos 1 hr descansando e pensando se encarava mais 11 km até o próximo acampamento. É aí que entra a garota da Suíça que pouco depois chegou e me convenceu a encarar a jornada.

Eu estava cansado mas a possibilidade de ter um camping a menos a pagar fez a proposta ficar atrativa (considerando que tampouco tinha dinheiro suficiente para todos os campings). Fizemos o trajeto juntos e não posso dizer que foi fácil. Após mais 6 hrs de caminhada com pausas da 5 min a cada 1km sob o sol escaldante da tarde e uma subida que não acabava nunca chegamos ao camping Los Perros.

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Caminho de Serón para Dickinson

O guarda do camping estava nos esperando pois éramos os últimos que ainda estavam na trilha (você se registra a cada entrada e saída nos campings e os guardas se comunicam para terem controle de quem está faltando.)

Ok…depois de 11 hrs e 30km com uma mochila de 30 kgs nas costas a única coisa que queria era um belo banho, comer e dormir. Porém apesar dos 6.000 pesos (algo como 30 reais) que custou o camping só oferecia banho gelado dentro de uma casinha de madeira. Eram 22 hrs e apesar de ser muito quente de dia quando o sol se esconde a temperatura fica abaixo dos 10 graus, mesmo no verão. Tive que encarar uma ducha gelada a noite. Pelo menos foi bom para os músculos, que relaxaram para outro dia de caminhada.

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Caminho para o Acampamento Dickinson

Dia 03 – Los Perros à El Passo

Foi uma noite longe, acho que umas 12 hrs. Mas o pior estava por vir. O trecho entre o acampamento Los Perros e El Passo é o mais difícil do parque. Quando chove ou neva esse trecho frequentemente é fechado e o se passem dias em Los Perros esperando que abra. Fiquei feliz ao saber que iria fazê-lo um dia antes da chuva (era a previsão do tempo) pois não fazia a menor idéia do que me esperava.

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Caminho para El Paso (subida)

São 9 km de caminhada que foram feitos em aproximadamente 5 hrs. São quase 1000m de subida íngreme até o topo do Passo John Gardner, 0 mais alto do trajeto. A primeira parte da trilha não tem muitos desníveis, mas a situação do solo é horrível. Como estamos dentro da floresta o terreno é muito úmido e qualquer chuva ou neve piora a situação, então não enfiar o pé na lama é praticamente impossível. Depois vem a subida, essa sim CANSA!

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Pico do Paso John Gardner

Porém vale a pena quando você chega no topo e se depara com a entrada do Campo de Gelo Sul, uma imensidão de gelo alimentado por glaciares que se extende a perder de vista pelo horizonte. Passei praticamente 1 hr admirando a beleza do glaciar, foi sem dúvida o ponto alto do parque.

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Glaciar Grey e entrada para o Campo de Gelo Sul

E como se não bastasse os 1000 m de subida tive que descer tudo que subi…e em uma trilha beeeem mais íngreme, inclusive com cordas para auxiliar.  Cai umas 3 vezes e meus joelhos não existiam mais depois da descida. Eu juro que eu só queria que aquilo acabasse.

Já lá embaixo ainda faltaram mais 2 km para chegar ao El Paso. O Acampamento é muito pequeno e fica em um terreno rochoso e desnivelado. É gratuito e devido a dificuldade da trilha muita gente que não fez reserva pensa em ficar por lá, no final eles tem que continuar por mais 8km até o Refúgio Grey pois não há lugar para por a barraca. Valeu a pena ter ido a CONAF fazer reserva pois não ia conseguir caminhar nem mais 10 min depois do Paso John Gardner.

Dia 04 – Acampamento Paso ao Paine Grande

Depois de encarar a parte mais difícil da jornada acordei motivado. Estava na hora de pular mais um acampamento (e entrar no circuito “W”, até agora estava fazendo o trajeto exclusivo do “O”). O objetivo seria pagar somente um camping nas próximas 3 noites. Para isso teria que pular o Refúgio Grey e o acampamento Chileno.

Choveu de noite e pela manhã fui presenteado por um belo arco-íris sobre o glaciar, algo mágico e que me fez ficar bastante tempo admirando. Mas como a caminhada era larga não pude ficar muito.

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Mar de gelo que dá entrada ao campo de gelo sul, o terceiro maior campo de gelo do mundo.

No quarto dia a mochila já não estava mais tão pesada, porém as pernas começavam a reclamar. Aproveitando a curta distância do El Paso ao Refúgio Grey (7km) deu para chegar até lá pouco antes do meio-dia, almoçar e seguir viagem.

Quando você chega nesse ponto da jornada nota-se a diferença das pessoas que estavam no trajeto “O” e as que vieram para o day-trip. Enquanto no “O” você vê menos gente nas trilhas e nos acampamentos, geralmente sujos e um tanto maltrapilhos quando bota os pés no Refúgio Grey você se depara com mulheres fazendo trilha maquiadas, com roupa de marca com cara que acabou de sair da loja e um fluxo absurdo de pessoas. Eu queria sair o mais rápido possível daquele lugar.

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Glaciar Grey visto de frente

O Refúgio é ponto de parada para o mirante do Glaciar Grey (aquele que vi por cima em El Paso). Muitas pessoas fazem uma Day-trip descendo no acampamento Paine Grande e caminhando 11 km para ver o Glaciar. Alguns dormem por lá (existe uma pousada ou se pode alugar barracas por precinhos nada camaradas) e outros encaram mais 11 km de volta para dormir em Paine Grande ou voltar de catamarã ao hotel. O trecho entre os acampamentos é um pouco sinuoso e tem uma subida considerável, mas é possível fazer num ritmo leve e chegar em tempo.

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Começo da trilha entre Refúgio Grey e Paine Grande

A partir do refúgio Grey também começa a área atingida pelo grande incêndio de 2011. A vegetação do Parque é muito inflamável e o vento é muito forte, o que faz com que o fogo se espalhe rapidamente.

Em 2011 um jovem israelense resolveu queimar papel fora da área permitida e iniciou um grande incêndio que destruiu 25% do parque. Depois desse incidente quem faz fogo ou acampa fora das áreas permitidas é sumariamente expulso do parque, preso e depois de pagar uma multa beeeem salgada é expulso do país e proibido de volta ao Chile novamente. No reveillon de 2015 3 brasileiros também foram pegos fazendo fogueira onde não deviam e foi o que aconteceu com eles. Por sorte não houve propagação do fogo como ocorreu com o israelense.

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Árvores queimada por todo o trajeto do Refúgio Grey até Paine Grande

São 11 km em meio a uma vegetação rasteira em recuperação e árvores queimadas, é uma pena que a irresponsabilidade de um faça a natureza pagar um preço tão caro.

No ponto mais alto da trilha o vento começa a ser incrivelmente forte, ele literalmente te lança de um lado ao outro e manter o equilíbrio é difícil. As lufadas continuam no camping Paine Grande, nunca foi tão difícil armar uma barraca na minha vida, é uma verdadeira arte. Vira e mexe alguma saia voando ou se quebrava pela força do vento. O pessoal chama o lago que beira o espaço de “cemitério de barracas”, e com razão.

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Acampamento Paine Grande

O acampamento Paine Grande recebe os turistas que vem de catamarã seja para começar o circuito W por esse lado ou para ir ao Refúgio Grey admirar o Glaciar. Tem uma pousada com restaurante e uma infra-estrutura boa, apesar de os chuveiros não esquentarem novamente.

Foi pagando essa diária que deixei o restante dos meus pesos chilenos (e ainda tive que pegar emprestado um pouco de uma menina francesa que conheci porque não tinha o suficiente). Os próximos dias teriam que ser de custo 0.

Esse dia foram mais 20km com uma mochila de cerca de 25kg nas costas. A caminhada estava começando a pesar.

Dia 05 – Paine Grande à Italiano

O trajeto de Paine Grande ao Italiano é tranquilo, são mais ou menos 7,5 km sem muitos desníveis. O acampamento Italiano também é gratuito e outra vez vi a importância de ter ido a CONAF um dia antes de ir ao Parque, tinha MUITA gente querendo uma vaga e sem reserva, principalmente porque o acampamento é ponto estratégico para subir ao Vale do Francês, uma trilha de aproximadamente 5km e das mais bonitas do parque.

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Começo da trilha para o Acampamento Italiano

A outra opção é ir até o acampamento Francês, que fica a 30 min do Italiano e ficar por lá. Você terá que pagar porém o Francês é um dos campings com melhor infra do parque (lá o chuveiro é realmente quente).

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Vale do Francês

Como tinha feito a reserva fiquei no Italiano, subi o Vale e voltei. No fim da trilha ainda conheci o André, do blog Pedalando Bicicletas, ele está percorrendo a América do sul de bike, saiu da minha cidade natal (Joinville), desceu até o Ushuaia em naquele momento estava subindo até a Bolívia. É engraçado como você conhece viajantes conterrâneos nos lugares mais improváveis. Voltei com o André e seu amigo argentino ao acampamento e seguimos para lados diferentes.

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Eu, André e seu amigo ciclista argentino

De noite preparei meu último macarrão (a comida estava acabando, mas a aventura também) e dormi para me recuperar para a última grande caminhada: chegar até o acampamento Torres, na base das Torres Del Paine. E também torcer por um bom tempo para admirá-las ao amanhecer.

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Vale do Francês no final da tarde.

Dia 06 – Acampamento Italiano à Torres

Acordar, respirar fundo e encarar os cerca de 22 km entre o acampamento Italiano e o Acampamento Las Torres, que fica na base do mirante das 3 Torres que dão nome ao parque.

Caminhei 30 min até o acampamento Frances, tomei um belo de um banho quente, preparei minha comida e bola pra frente!

Já estava cansado (exausto para dizer a verdade), a comida estava no talo (tinha uns amendoins ainda para beliscar durante o percurso e meio pacote de macarrão para a janta) e o percurso era longo e desgastante. Juro que pensei algumas vezes em ir direto para o hotel, pedir carona para a cidade, sacar dinheiro e tomar uma cerveja bem gelada.

É…já não estava tão divertido.

Durante o caminho só o que eu pensava era “O que estou fazendo aqui? Porque estou fazendo isso? Não preciso provar nada pra ninguém! To 7 dias caminhando nesse parque só pra tirar fotinhos bonitinhas?”.

O esgotamento físico e mental estava a flor da pele.

Se os primeiros 15 km já eram intermináveis, os últimos 5 então estavam quase insuportáveis. São cerca de 3km de subida íngreme até chegar ao acampamento Chileno, o último acampamento privado e com alguma infra antes do acampamento Torres e do Mirador. Depois são mais 2 km até Las Torres que fica a 1,5km das Torres de Paine.

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Condores sobrevoando a montanha de pedra bicolor.

O percurso é bonito, com vista para os lagos, as montanhas rochosas e condores voando alto sobre os picos nevados. a cada 2 km deitava na trilha e descansava alguns minutos. Demorei 9 hrs para chegar ao acampamento e quando cheguei preparei meu macarrão, comi e antes das 20 hrs já estava dormindo completamente esgotado e no outro dia teria que me despertar as 5 da manhã para sair no escuro e no frio, tudo para ver o nascer do sol em frente às 3 Torres de Paine e o famoso mágico do cambio de cores do momento.

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Vista do Lago Nordenskjold

O tempo estava meio nublado e a expectativa se ia abrir ou não durante a noite era enorme. Muitas vezes o tempo fica tão nebuloso que não se pode ver o topo das Torres. Seria decepcionante se depois de tantos dias o Gran Finale fosse estragado pelo mal tempo.

Dia 07 – Torres del Paine e a volta para a cidade

Meu despertador nem precisou tocar, acordei 4:30 da manhã com o barulho do pessoal saindo das barracas e começando a caminhada para o topo.

O breu estava total, o tempo nublado me preocupava, não havia nenhuma estrela no céu. Levantei, coloquei meu casaco, peguei minha mochila com câmera, água e amendoins, acendi a lanterna e fui.

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Lanternas iluminam a trilha para as torres del Paine durante a noite

O trajeto até o mirante é cheio de rochas e principalmente no escuro se deve ir devagar. No meio do caminho o sol começou a dar o ar de sua graça iluminando a parte mais complicada do caminho e quando vi as 3 torres abri um sorriso aliviado. O tempo estava nublado sim, porém as nuvens estavam altas e o contraste delas com o lago esverdeado e a luz alaranjada do sol nascente nas paredes de pedra estava espetacular, melhor que qualquer bom tempo sem nuvens.

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As Torres del Paine logo quando cheguei. O sol começava a iluminá-las

Cheguei ao mirador e sentei admirado aquele espetáculo da natureza, me incomodava o amontoado de gente se movimentando e tirando selfies, mas hoje em dia não existe um lugar em que se possa estar livre disso.

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Cores começam a contrastar

Conforme o sol foi subindo a coloração das torres e do lago foi mudando. São apenas algumas dezenas de minutos até a iluminação se padronizar e o espetáculo acabar. Valeu a pena me esforçar no último dia, valeu a pena a dor no joelho, no tornozelo, a roupa suja e fedida, a pele queimada pelo sol e os 5 kgs a menos por ter caminhado tanto e se alimentado tão mal.

O trajeto de Torres del Paine também pode ser um caminho de auto descobrimento, de superação dos limites, com paisagens incríveis de presente.

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Já com o sol iluminando completamente os paredões horizontais das 3 torrres.

Bom…agora era hora de voltar para casa. Mais 50 min até o camping, guardar as coisas e desarmar a barraca para encarar os 8 km de descida até o hotel e mais 5 km até a entrada da Laguna Amarga. Tentei carona sem sucesso e tive que caminhar tudo isso.

Porém só visualizava um belo de um hambúrguer suculento e uma cerveja bem gelada me esperando em Puerto Natales, creio que isso me deu um último gás. E obrigado aos israelenses que encontrei no caminho e que trocaram os pesos argentinos que tinha por pesos chilenos, assim pude pegar o ônibus sem perrengues para voltar para a cidade. 🙂

Um pouco sobre Puerto Natales

Não posso escrever um post sobre o Parque de Torres del Paine sem dar uma pincelada sobre Puerto Natales, a cidade de entrada para o parque.

puerto natales

Costa de Puerto Natales

Pensei muito sobre se faria um post para cada local e decidi aglomerar tudo num post só pois não tem muito o que falar sobre ela. É uma cidade pequena sem muitos atrativos que recebe mochileiros de todo o mundo diariamente em busca dos circuitos do parque.

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Na cidade se pode encontrar facilmente comida enlatada, ensacada ou desidratada (ideal para longos períodos de trekking) além de artigos para camping.  Ficar pelo menos um dia na cidade para se abastecer e um dia depois para descansar é o ideal.

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As opções na cidade não são muitas além de poucos restaurantes, bares e cafés pelo centro e a costa do lago que bordeia a cidade. Além de Torres del Paine Puerto Natales oferece expedições arqueológicas sobre o Milodón, uma espécie de mamífero pré histórico que viveu na região e é símbolo da cidade.

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Milodón está presente nas placas de todas as ruas (esse desenho que parece o Patrick do Bob Esponja)

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