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Antes de começar a escrever gostaria de dar um spoiler: O Salar de Uyuni é um dos lugares mais fodas que já visitei nesse mundo. Junto com o Monte Roraima está entre as regiões que não fazem parte desse planeta. Pronto, agora posso continuar.

Como estava no Atacama e já havia feito o passeio pelo salar saindo de Uyuni em 2011 comprei o pacote que atravessava o deserto. Paguei 90.000 pesos chilenos por 3 dias e duas noites de travessia (com hospedagem e refeições inclusas, isso dá mais ou menos 450 reais).

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Laguna azul. Caminho para o Salar

Dia 01 – Atravessando a fronteira para a Bolívia

O primeiro dia já foi tenso. Depois de parar na entrada do Parque Nacional e pagar cerca de 160 bolivianos (80 reais) de entrada fomos para a fronteira Boliviana. Eu tenho uma zica com fronteiras. Sempre dá alguma merda.

Saímos muito cedo de San Pedro de Atacama e as 7 da manhã já estávamos no limite com a Bolívia. A fila estava enorme de turistas das dezenas de jipes bolivianos e chilenos.

No papel de imigração eu havia escrito o numero do meu passaporte porém havia entrado no Chile com minha identidade. Problema numero 01 : Teria que ter o mesmo numero no cartão de imigração, lá fui eu preencher tudo de novo. Quando fui entregar o agente perguntou onde estava meu selo de saída do Chile. Como entrei com minha identidade na imigração chilena o policial pegou o papel com o selo e jogou fora.

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Salar de Uyuni – Foto da minha viagem de 2011 durante a minha primeira vez no deserto.

Depois de alguns xingamentos (típicos de guardas da fronteira) consegui entrar na Bolívia (sem o selo boliviano no passaporte, mas mais tarde consegui a um preço alto, mas é historia para outro post). Todos dentro do jipe e continuamos viagem.

O primeiro dia é marcado por lagoas, desertos, termas, geysers e um pernoite em uma pousada numa pequena vila dentro do parque nacional.

A primeira lagoa se chamava a Laguna verde, que tem essa coloração por causa do auto índice de enxofre na água, ou seja, também não existe nenhum ser vivo nadando por lá. A laguna fica a 4.300m de altitude.

A segunda parada foram nos geysers do deserto. A quase 4.260 de altitude. Os geyser não eram tão fortes quanto os de Tátio porém a coloração verde do enxofre e a ebulição da água era mais evidente, tornando-os mais impressionantes (ao meu ver).

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Geysers pelo caminho para o salar. O cheiro de enxofre era forte.

Parada nas termas para relaxar. Com um frio de rachar lá fora só deu tempo de tirar a roupa e correr para a água.

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Termas para relaxar no meio do frio

O deserto de Dali, que era um dos pontos que mais queria ver pois é chamado assim pela semelhança com as pinturas de Salvador Dali foi decepcionante. Realmente se parece mas você vê as pedras tãããão de longe que mal pode imaginar a pintura.

Parada para almoço e voltinha na laguna colorada. Uma lagoa vermelha geralmente lotada de flamingos mas como era começo de inverno quase todos migraram para lugares mais quentes. O que pudemos ver foram muitos filhotes mortos (que não tinham força para migrar) e ovos ocos além dos 17 flamingos que sobraram.

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Parada em uma Laguna cheia de Flamingos e Lhamas

Paramos em uma vila chamada “Villa Mar” no meio do parque. Lá dormimos em uma pousada simples em quarto compartilhado e sem chuveiro quente (não tive coragem de me banhar a 0 graus com um chuveiro gelado, dormi fedido mesmo).

Dia 02 – A rota alternativa

No Atacama contratei uma agencia em que o “diferencial” era fazer uma rota alternativa às outras, ou seja, não passaria pelas trocentas lagunas do caminho tradicional do segundo dia e sim por formações rochosas, canyons e muita visualização de fauna e flora.

E o principal, longe do grosso de jipes das mais de 100 agencias que operam em San Pedro e Uyuni.

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Villa Mar. Uma comunidade de cerca de 50 famílias que vive da plantação de Quinua em meio ao deserto.

De manhã cedinho enquanto organizavam as coisas caminhamos por Villa Mar. A cidade tem cerca de 400 famílias que vivem basicamente da Quinua e da Alpaca. No topo de uma das pedras tem a carcaça de um avião, era um monomotor que levava mantimentos a vila durante uma nevasca que deixou a população sem locomoção. O piloto não viu a rocha e colidiu com ela.

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Avião que caiu em Villa Mar

Bom…depois de sair de Villa Mar passamos por algumas formações rochosas e paramos em um vale para almoçar. O lugar era surreal com muitas lhamas e o chão era um carpete de Yareta, uma plantinha verde que cresce somente 1mm ao ano.

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Lhamas e yareta

Enquanto nosso guia preparava o almoço caminhamos ao redor do vale. O cenário era de filme. Com lagos e yareta por todos os lados. Essa planta é muito firme e cresce como se fosse uma rocha. Porém de uma coisa não sabia: Haviam canais onde passava água, mas nitidamente eram muito rasos. Fui pular um deles e coloquei o pé no meio do córrego pois havia somente alguns centímetros de água. Quando apoiei o pé minha perna inteira afundou no barro, só não fui inteiro porque me joguei para trás. Sai de lá todo enlameado e molhado, tive que trocar de calça e botar minha bota para secar enquanto almoçava. 😛

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Parecem rasos, mas pise aí que você pode afundar por completo.

Incidentes a parte, depois almoçamos e paramos o canyon del Inca e nos trilhos do trem de San Pedro, por onde passavam os trens que carregavam sal. No final do dia paramos em um hotel de sal em uma pequena vila perto do salar.

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Canyon del Inca

É de praxe todas as agencias oferecerem a última pernoite em hotéis de sal. São construções feitas a partir de bloco de sal e teto de palha que só se mantém em pé devido a falta de umidade do local, senão já teriam derretido. As camas também eram blocos de sal com um colchão em cima.

A estrutura é bem charmosa e diferente (e tinha ducha quente, apesar de paga). Um último jantar com vinho boliviano (horrível!) e cama! O último dia iríamos madrugar para ver o nascer do sol em plena infinidade branca do salar.

Dia 03 – Salar de Uyuni

Saímos ainda de noite do hotel de sal para o salar. Existem duas fases distintas do deserto. A temporada seca e a temporada onde as chuvas fazem com que se crie uma fina lâmina de água sobre o chão que reflete o céu. O amanhecer com essa lâmina é mágico, algo de outro mundo, pois parece que o céu é infinito. Não há horizonte e sim dois sóis nascendo (um para cima e outro para baixo). Dessa vez foi no seco mesmo.

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Nascer do sol com lâmina de água. Foto de 2011

O nascer do sol não foi menos mágico por isso. Ver o céu ficar laranja e o sol aparecer no horizonte plano refletindo sua luz no chão branco de sal transmite uma energia indescritível. Um espetáculo único da natureza.

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Mágico nascer do sol em meio ao silêncio do deserto de sal.

Depois das baterias recarregadas após o amanhecer fomos para a ilha dos cactus. É uma formação rochosa no meio do deserto repleto de cactus gigantes. O café da manhã seria lá depois de perambularmos toda a ilha.

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Ilha dos Cactus. Foto de 2011 (esquerda) e 2016(direita).

Após o café da manhã uma visitinha ao museu de sal, ao lado de uma elevação onde as bandeiras de muitos países voam sob a força do vento. Todas aquelas bandeiras foram colocadas por algum viajante durante o trajeto e carregam as assinaturas de outros tantos que passam por ali todos os dias.

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Bandeiras colocadas por viajantes de todos os cantos desse mundão.

Uma última parada nas minas de sal. Ao lado uma vila com uma feira de “artesanatos” bolivianos. Lá almoçamos e seguimos para a cidade de Uyuni.

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Escultura homenageando o Rally Dakar. Realizado na região de Potosi na Bolívia durante os últimos 3 anos

A cidade de Uyuni

Uyuni hoje é uma cidade que vive basicamente dos turistas que a visitam. Seus 10.000 habitantes recebem cerca de 6x sua população em visitantes a cada ano. Também é rota comercial entre a Bolívia e o Chile.

A cidade é bem simples e tem poucos atrativos. Além de alguns restaurantes, bares e pousadas  Uyuni conta com dezenas de agencias que fazem o passeio para o salar e diversos ônibus saindo para outras cidades da Bolívia e norte do Chile (como existem várias agencias sempre pesquise os preços e negocie).

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As famosas fotos em perspectiva do Salar

Ao lado da cidade está sua principal atração, que é sempre a parada final de todos os tours pelo Salar: O cemitério de trens. Nada mais é que ass carcaça de vários trens que foram utilizados no século 19 quando a cidade ainda era ponto estratégico para envio de minérios para os portos do Pacífico.

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Releitura da foto de 2011 5 anos depois.

Com o decréscimo da extração e constantes sabotagens dos índios da região as empresas que faziam o transporte faliram ou abandonaram o negócio. Os trens restantes hoje fazem parte de tipo um museu a céu aberto.

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Cemitério de trens

 

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