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Nem sei por onde começar a falar de San Francisco. Não é segredo que não faço o estilo “American way of life” e não gostei dos Estados Unidos. SF tem suas peculiaridades porém não foge da regra.

San Francisco, o berço do movimentos liberais americanos.

O movimento hippie, o movimento LGBT e hoje a revolução digital…todos esses movimentos começaram em épocas distintas na cidade. A Haight Street, onde os hippies surgiram na década de 60 até hoje mantém seu ar alternativo, mesmo que tenha se transformado numa espécie de reduto de peregrinação turística e podendo ser mais classificada como hipster do que hippie.

san francisco

Hippies/hipters/pedintes em Haight Street

Castro é o reduto gay da cidade, é a região onde todos podem ser eles mesmos. Apesar de San Francisco ter sido o berço do movimento LGBT nos Estados Unidos em grande parte da cidade o conservadorismo infelizmente prevalece.

Bandeiras do movimento gay se mesclam com as do movimento sadomasoquista em uma rua cheia de bares, baladas e lojas quase que exclusivamente abertas para esse público.

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Castro. O bairro que fermentou o movimento LGBT que se espalhou pelo mundo.

Nas últimas décadas um outro grande movimento alçou a região ao topo. A criação do Vale do Silício, lar de grandes empresas de tecnologia como Google e Facebook atraem até hoje milhares de jovens talentos e empreendedores do mundo todo. A efervescência da região inflacionou absurdamente os preços da cidade transformando San Francisco em uma das mais caras cidades dos Estados Unidos.

E os preços não são um pouco mais caro que em outras regiões, elas são absurdamente mais caras. De certa maneira a inflação está ‘expulsando’ a população latina e oriental, que tem seus próprios bairros, cada vez mais ocupados por jovens talentos em busca de oportunidades na cidade.

San Francisco é uma das poucas cidades americanas onde a maioria é minoria. Segundo o censo de 2010 o americano branco de classe média constituía cerca de 48% da população. Com 33% de asiáticos, 15% de hispânicos e 4% de afro-americanos.

Eu de certa forma tinha muita expectativa sobre San Francisco, creio que por isso fiquei um pouco decepcionado. Imaginava uma cidade plural e heterogênea, com muitas manifestações artísticas nas ruas e uma falta de padronização típica de regiões onde borbulham nomes criativos. E não foi isso que encontrei.

A cidade tem a mesma arquitetura de outras americanas. Prédios e casas iguais e bem pintadas, ruas limpas e bem sinalizadas.

Claro que diferenças culturais e históricas influenciam, mas ao meu ver São Paulo é visualmente mais criativa que San Francisco, pelo menos a primeira vista.

O clima atípico de San Francisco.

Saí de Los Angeles e seu calor infernal e chego em San Francisco com 15 graus. Uma névoa quase constante cobre a cidade durante o verão, baixando drasticamente a temperatura, na contramão do restante do país. As pessoas da cidade falam que o verão de SF chega a ser mais frio que o inverno.

Essa névoa se forma por causa da diferença de temperatura do solo californiano e das gélidas correntes do pacífico. Essas correntes fazem com que a temperatura da região fique mais ou menos constante durante todo o ano, variando geralmente entre 10 e 15 graus.

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Névoa gelada que cobre a cidade no verão. Às vezes pela manhã quando ea chega parece uma cena de Independence Day.

No mês de setembro a névoa se dissipa e ocorre o Indian Summer, que é a semana mais quente do ano. Um curto período para que o povo possa aproveitar alguma praia.

San Francisco consegue de certa forma ir na contra mão do resto do país. É o berço das ideias mais progressistas e liberais e laboratório de ideias ousadas e inovadoras. Porém ainda tem um mindset muito americano. Quem sabe com uma população cada vez mais multinacional sua capacidade de inovar se torne ainda maior.

 

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