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Quando comprei minha passagem para a África do Sul a primeira idéia que me veio a cabeça foi saber quando era o Afrika Burn. Já tinha ouvido falar do evento quando pesquisei sobre os outros burns regionais que ocorrem pelo mundo. Para quem não sabe o objetivo do Burning Man é espelhar seus princípios pelo mundo através de edições regionais e o Afrika Burn é o mais antigo e o maior dessas crias.

Afrika burn

Um pouco da Playa em meio ao deserto.

Afrika Burn: Um bom legado para a África do Sul.

A África do Sul é um país extremamente tradicionalista. Casar e ter filhos ainda é a meta principal da maioria da população, a religião tem uma grande influência na sociedade e falar sobre sexo é um tabu até hoje. (Os índices de HIV batem os 20% da população e inclusive Mandela em seu governo admitiu que apesar da luta contra o vírus com distribuição de preservativos falar sobre sexo ainda era tabu.)

E no meio de tudo isso a 13 anos existe o Afrika Burn. Um evento de contra cultura que preza a plena liberdade de expressão e o não-julgamento.

Afrika burn

Radical Self-Expression durante o “Purple Wedding” o dia em que todos se vestem de roxo e se casam coletivamente (nem que seja por um dia). O Roxo é uma cor muito simbólica para a África do sul. Foi muito utilizada nos protestos anti-appartheid.

A edição desse ano contou com 15.000 pessoas das mais variadas partes do mundo e dois pontos me chamaram atenção: O número impressionante de famílias com crianças e a dinâmica do evento, que conta com praticamente metade do seu público durante os 3 últimos dias antes da queima final.

Afrika burn

Muitas crianças no deserto. Um alento para uma geração mais aberta no futuro.

Regionalismos do Afrika Burn

No título chamo o Afrika Burn de “filho adolescente” porque foi exatamente essa a minha impressão. Um evento que já caminha por si só, tem sua identidade e independência, está construindo sua personalidade mas ainda tem o que aprender com seus pais.

Não falo que o Burning Man seja perfeito, como em qualquer evento ele tem problemas. Mas o que senti no AB é que é muito “festa”. Talvez seja consequência do tradicionalismo sul-africano (e a galera vai para o deserto para extravasar) e por ser muito perto da Cidade do Cabo, um dos principais pólos do país.

Afrika burn

Play!

O Afrika Burn tem um décimo-primeiro princípio, e ele diz: “Each one teach one” (Cada um ensina um). É um princípio bem importante principalmente em um evento muito diferente do que qualquer outro e onde a maioria das pessoas (ao contrário do BM) é novata.

É um exercício difícil. O que vi no evento a partir de quinta-feira foi muita droga e pouco respeito. Nada contra quem quer ficar chapado, mas gritar enquanto o Templo queima (para quem não sabe o que significa o Templo pode ler meu post sobre o Burning man), botar som em zonas silenciosas e jogar lixo ou fazer suas necessidades fisiológicas (sim…vi meninas mijando e cagando no meio do deserto ao lado do banheiro químico) é desrespeitoso. Acho que por isso inventaram o 11 princípio, apesar de vê-lo pouco em prática.

Afrika burn

Templo queimando.

Mas como todos nesse mundo não temos só que aprender, mas também podemos ensinar.

Essas foram observações esporádicas do evento. Que no geral ainda está crescendo. Conheci muita gente que bota a energia e o coração no deserto de Tankwa Karoo (onde acontece o Afrika Burn) e pessoas incríveis que fazem a diferença.

Afrika burn

Pôr do sol mágico de cada dia.

Me hospedei no Alienz Camp. Um dos maiores e com mais estrutura da Playa. Servimos café oferecemos aulas de yoga e até um fashion show no sábado com participação especial do Naked Spectrum e sua atividade de pintar as pessoas nuas com as cores do arco-íris. Fiz uma atividade sobre empoderamento feminino no CeXx camp e contei com a ajuda daquele grupo maravilhoso e liberal. Esse material vai virar um e-book em breve. 🙂

Afrika burn

Pessoal do Naked Espectrum desfilando no Fashion Show.

Como todo Burn, a edição africana é construída pelos participantes e consequentemente o evento é a cara de todos que estão lá e o quanto estão dispostos a se doar para que aquilo aconteça. E só pelo fato de acontecer por si só já é algo mais que mágico.

Afrika_burn

Welcome home! 🙂

 

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