0 Flares Twitter 0 Facebook 0 0 Flares ×

“Mas ela disse, para onde você quer ir?

Quanto você quer arriscar?

Eu não estou procurando por alguém

Com algum dom sobre-humano

Algum super-herói

Alguma felicidade de conto de fadas

Apenas algo a que eu possa recorrer

Alguém que eu possa beijar”

 

Esse é um trecho da música “Something Just Like This” do Coldplay (clipe acima para embalar o post) que começou a tocar na minha playlist bem na hora que abri a janela para escrever esse post.

Esse verso resume bem o texto que vou escrever. Tenho tentado passar com meu blog e minhas experiências que viajar sim, é muito bom e tem muitos benefícios. Mas não é o único caminho para se descobrir e descobrir o mundo.

Nesse último mês fiquei aqui em Johannesburgo, na África do sul voluntariando em um hostel. Em quase 2 anos de estrada foi minha primeira experiência do tipo. Não foi exatamente o que esperava mas ainda assim aprendi mais ainda sobre mim e conheci muitos viajantes que chegavam e partiam diariamente. Praticamente todos eles estavam em férias e quando contava minha história se deslumbravam e se rasgavam de elogios “invejosos” de como minha vida deve ser perfeita.

O mesmo acontece quando falo com meus amigos, que brincam que a decisão mais difícil que tenho é decidir o próximo lugar em que vou estar. Ou outros que pensam que passei os últimos dois anos festando e dormindo com uma garota diferente por dia.

Nesse mundo as pessoas tem que vender algo para sobreviver, e os maiores blog de viagem vendem a ilusão que viajar é a melhor coisa que você pode fazer por você. Se tem problemas com trabalho, largue tudo e viaje. Se x namoradx te deu um pé na bunda, largue tudo e viaje. Mas não é assim que funciona. Ou pode ser que seja, mas vai depender de como você é.

Voar ou criar raizes?

Ser nômade digital. Trabalhar sem horário e com uma vista paradisíaca tomando uma piña colada no Caribe. Esse parece ser o sonho de todo o jovem adulto que vê sua vida ir na direção de como foi para seus pais e não se sente feliz no que faz.

Sim, hoje tudo isso é possível. Mas existem algumas coisas que os “Nômades Digitais” não falam:

Você vai trabalhar mais que em um escritório.

Eu não tenho renda com meu blog ou com minhas fotos. Mas cada post me demanda cerca de 3 horas e cada leva de fotos algo como 5 horas. Caso queira monetizar seu blog consiste em um maior planejamneto.

Monitorar trafego, otimizar redes sociais, planejar posts, negociar pacotes de patrocínio, gerir conteúdo (tudo isso que não faço com tanto afinco), além das fotos e do post em si, claro. Imagine quanto tempo levariia?

Ficar entre 10 e 12 hrs por dia trabalhando e vai tirar o fim de semana para visitar o local onde você está vai ser o mais próximo que vai chegar. Pode ser interessante, mas além disso exige muita:

Disciplina e auto gerenciamento. Você consegue resistir as tentações?

Desde que nascemos somos acostumados a ter alguém que nos diga e nos cobre o que fazer. Nossos pais, professores, chefes, etc…

E quando ninguém mais te cobra? Como você faz? Esse foi meu principal baque quando larguei o trabalho. Eu tinha o blog para desenvolver. Vários planos para o mês que ficaria em São Paulo. E nos primeiros 2 meses eu não fiz NADA.

Não que não quisesse. Mas ninguém me cobrava. Se tivesse um prazo poderia roubar fácil porque era eu comigo mesmo. E sabotar você mesmo é mais fácil que sabotar um terceiro.

E quando você começa a viajar então? Gente nova todo dia te convidando para sair, uma cidade e uma cultura inteira a conhecer? Trabalhar? Amanhã eu faço. Meu grande amigo Larusso tentou a experiência e descreve muito bem como foi em seu blog.

Falta de raízes. Quanto tempo você aguenta sem construir fortes relações?

Esse talvez esteja sendo minha principal dificuldade. Depois de muito tempo dizendo “oi” e “tchau” tanto para lugares como para pessoas você sente muita falta de amizades fortes ou relações que durem mais que algumas noites.

Não estou dizendo que não é possível construí-las em temo recorde. Tenho muitos grandes amigos que só vi alguns dias na minha vida e conheci gente que começou a namorar e casou se esbarrando pelo mundo. Mas são excessões. As mesmas que você esbarra no bar da esquina ou naquela balada que você estava com preguiça mas acabou indo.

A carência bate. A vontade de voltar pra casa. A saudade. A nostalgia relembrando o passado… Você sempre viveu com raízes e você as cortou, agora como viver voando? Quando você voa tem que deixar tudo ao seu redor para trás e olhar somente para a frente. Não é fácil.

Viajar é uma fuga ou é algo que realmente te impulsiona?

Claro que tudo isso pode ser contornado. Como falei no começo depende de como é sua personalidade. Viajar por longos períodos e tentar ser um Nômade digital é válido e se der certo ou não um baita aprendizado.

Agora antes de largar tudo e cair na estrada uma coisa que deve ser considerada é: Você quer pegar o avião para fugir de algo que te faz infeliz ou realmente é um sonho seu se libertar e conhecer o mundo? Será que mudar de vida deve implicar deixar tudo para trás?

Viajar pode somente servir para você descobrir que prefere não viajar….ou não.

Viajar é do C#@[email protected]#$, a sensação de largar tudo e botar uma mochila nas costas é indescritível e talvez seja seu destino. Talvez seja somente por um tempo. Talvez você volte depois de 3 meses sabendo que para você ter seu trabalho e viajar 30 dias pro ano é mais que suficiente. Não há nada de errado nisso. Minha vida não é melhor ou pior que a sua, é somente diferente.

Esse post soou meio pessimista mas é só um alerta do que é ser um viajante por longo período. Poucos viajantes falam sobre suas dificuldades e carências. Tudo parece um mar de rosas. Mas quantos permanecem na estrada mais que um par de anos?

Então se você quer se jogar na estrada meu conselho é: Se joga! E encare tudo como um aprendizado. Se você fizer isso voltando em 10 dias ou em 10 anos vai ter valido a pena.

Comentários

comentários